1. Porque é você que eu amo! | Capítulo 23


    Encontro: 07/01/2019, Categorias: Heterossexual, cego, Gêmeos, Irmãos, Amigos, Amigos, Amor / Romance, Amor / Romance, BAmor / Romance, restaurante, Reencontro, chuva, sentimentos, Gays / Homossexual, Autor: Di Ângelo, Fonte: CasadosContos

    Naquela manhã saí mais cedo da faculdade depois de entregar meu trabalho de Animação e fazer um outro ainda mais extenuante no qual precisei liderar uma sessão de fotos com modelos em peças íntimas de uma marca pouco conhecida. Sete pessoas - quatro mulheres e três homens - desfilando e fazendo caras e bocas em cenários montados enquanto os flashes da minha câmera frisavam cada momento freneticamente. Embora o trabalho fosse em equipe, e meus parceiros estivessem se esforçando para dar conta da iluminação, conforto dos modelos e tudo mais, eu sentia um cansaço mortal que me tirava todo o ânimo para fazer aquilo. Algo que havia acontecido mais cedo ainda estava me incomodando e eu só conseguia pensar nisso. No restaurante, depois de cumprimentar alguns colegas de trabalho, segui até o quartinho dos fundos para me trocar. Guardei minha bolsa no armarinho que fora dado a mim e peguei meu uniforme. Era um conjunto simples, porém bem produzido: uma boina vermelha, camisa social branca enfiada por dentro da calça social preta, cuja cintura era envolta por um avental verde. E para completar, um lustroso par de sapatos Side Gore. As mangas curtas da camisa eram o único detalhe que me incomodava um pouco, pois ficavam um tanto justas nos meus bíceps. Fechei meu armário depois de dar uma última conferida no pequeno espelho na porta e então fui em direção a cozinha. O movimento no restaurante estava enorme. Bem maior que durante à noite, que é meu turno habitual. Acredito que por ser ...
    horário de almoço e grande parte do pessoal que vem para comer ser turista que gosta de almoçar fora. Dona Esperanza estava a todo vapor na cozinha. Ela mexia em uma panela, temperava algo em outra, cortava legumes aqui, provava um pouquinho de algo ali. Nunca deixava de me impressionar com a disposição daquela velhinha de óculos redondos e sorriso simpático. Flora, sua jovem ajudante de não mais que vinte e sete anos e meigos olhos castanhos, estava ocupada arrumando os pratos na bancada, de onde os garçons - e estou me incluindo - levavam até as mesas. Ambas ainda não tinham me notado, e só o fizeram porque Pietro e Pierre, os gêmeos grandões, passaram por trás de mim para apanhar os pedidos. - Ragazzo! - disse dona Esperanza sorrindo para mim. Ela limpou as pequenas mãos na toalha em seu ombro direito e depois ajeitou os óculos com o mindinho. - Chegou bem na hora! - É, eu vi. - Dei risada enquanto me aproximava. Flora me olhou e sorriu daquela maneira que você sabe que a pessoa está na sua, mas eu apenas dei um meio sorriso em resposta. - Vim perguntar o que exatamente eu tenho que fazer hoje. - Bom, primeiro quero que ajude os ragazzi gemelli a entregar os pedidos. Eles não são muito bons na tarefa e já cometeram três enganos. - Ela riu, simpática. - Depois que tudo estiver mais calmo, veremos em que mais você pode ajudar. - Certo! Então, hã... - virei-me para os pratos no balcão e perguntei: - De quem são esses? - Mesas quatro, cinco, oito, dez e doze - respondeu Flora ...
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