1. Aconteceu em Paris e na Praia do Flamengo.


    Encontro: 06/12/2018, Categorias: Gays / Homossexual, Gays / Homossexual, Autor: Estevão Valente, Fonte: CasadosContos

    Estávamos em uma festa da intelectualidade francesa em Paris e o Professeur Docteur Armand de Gramont - Guiche, Ph.D., um amigo de um amigo, belo quarentão, grisalho, alto, musculoso e sarado, com fama de ser um bissexual muito desejado, foi apresentado a Expedito da Silva Junior, o Juninho, deus de ébano, da cor do pecado, e dentes de marfim, na moda, todo estiloso, cheiroso, formado em propaganda e marketing, modelo profissional, e quem em nossa suruba era chamado de” princesinha”. “Coup de foudre” é uma expressão francesa que quer dizer ‘amor à primeira vista ‘e foi o que aconteceu entre Armand de Gramont – Guiche e Expedito da Silva Junior, o Juninho. Sabe como é na França, também, tem o jeitinho brasileiro, penso até que aprendemos com os franceses, e monsieur de Gramont – Guiche conseguiu para Juninho uma vaga na ESP- L’Ecole Supérieure de Publicité, Communication et Marketing- fundada em 1927, 9 rue Léo Delibes, e um trabalho em Paris. A partir deste dia não contamos mais com ele em nossa cama no Hotel Caron e nem tão pouco na viagem de volta, pois Juninho, todo saltitante, por lá ficou. Continuando em francês posso afirmar que Paulo Alberto Sobrinho teve por mim um ‘coup de cœur’, ou seja, uma” paixão” à primeira vista, mas eu gostava dele, e ainda gosto muito, mas sem aquela intensidade porque, apesar de muito galinha, o Juvenal ainda estava muito presente nas horas de minha solidão. Na volta Paulinho levou uma chamada e foi trabalhar com o pai, e eu adorei, pois, ... assim ele ficaria mais protegidos dos urubus e abutres que povoam o céu gay do Rio de Janeiro. Sou ciumento. Risos. “Amado. Meus pais querem conhecer você”. “Como?” “Papai e mamãe querem conhecer o genro”, falou as gargalhadas. Fiquei estarrecido, afinal sou mais velho do que ele. “Ora, eu vivia e vivo falando de você. Você pensa que eles não desconfiaram?” “Estevão para lá, Estevão pra cá. Estevão com você em Paris. Estevão é seu namorado?”, perguntou na lata minha mãe. “Claro que é. Amo ele de paixão”. “Seu pai já sabe TUDO sobre ele, família, idade - calcando na idade - posição, emprego, fortuna pessoal, o que faz e o que não faz”. “MAIS MAMÃE”, gritei “Ora bolas, Voce é nosso filho único e não queríamos você se relacionando com um zé ninguém qualquer”. “Mais desde quando vocês sabem que eu sou gay?” “Ora, desde sempre. Sempre soubemos. Eu não via meus sapatos fora do lugar? Meu perfume acabar? Seu primo Antonio Manuel brincar de esconde-esconde na fazenda com você e você voltar com a bunda toda suja? Voce é muito inteligente, mas é muito bobinho”. Antonio Manuel, o primo mais velho, foi o primeiro que comeu a Paulinho. “Agora queremos conhecer o Estevão, ou não pode?” “Vou falar com ele”. “Voce não vai aprontar para mim, não é Paulo Alberto Sobrinho?”, falei eu. “Não, meu amor, nunca”. “Então liga para mamãe e combina, mas liga já. Ela está esperando. ” “Dona Lilian. Aqui é o Estevão. Como vai a senhora? “Não me chame de senhora, afinal somos parentes” e caiu na gargalhada, ...
«12»