1. PARA ALÉM DO VÉU - Prólogo e Cap. 01


    Encontro: 11/11/2018, Categorias: Lésbicas, superação, transfobia, preconceito, Amor / Romance, Drama, Dor, identidade, meu primeiro conto, Gays / Homossexual, Autor: Alison T, Fonte: CasadosContos

    Esclarecimentos sobre a autora (apresentação) Olá! É um sonho poder passar a fazer parte deste grupo de escritores que oferece a tantas pessoas motivação para viverem a vida de forma mais prazerosa. Esta é a minha primeira experiência com a escrita, logo, estou super aberta a sugestões, críticas e ao diálogo. Espero melhorar, desejo crescer e, para tanto, conto, desde já, com o auxílio dos queridos leitores. Todos os contos que pretendo partilhar são reais. São as histórias de vida de grandes amigos, preservadas tão somente identidades. Sou uma mulher trans de 35 anos e, sobretudo, uma mulher que sente - com a alma e com os seis longos dedos que tenho em cada mão (deixo para a imaginação de vocês quanto aos benefícios de possuir dedos extranumerários mas creiam, há). Sou lésbica, muito bem casada e mãe de uma princesinha que é o sol de um amor infinito. Quando nasci, meu pai machista, transfóbico, homofóbico, preconceituosíssimo e fundamentalista deu-me um nome neutro: Alison. Não era a sua intenção. Ocorre que ele se chamava Élio e alguém sugeriu que me nomeasse Élisson. Ao ouvir o nome informado, a oficial de cartório grafou conforme lhe pareceu coerente e contribuiu para abençoar-me com um nome unissex. Com apenas dois anos de vida, fiz um AVC, fui parar no CTI e fiquei entre a vida e a morte. Angustiado e por medo de perder o filho, meu pai fez uma promessa sem medir consequências: se eu sobrevivesse, meu cabelo só seria cortado aos dezoito anos, quando do serviço ...
    militar. Antes, poderia apenas aparar as pontas. Pois bem, provando que Deus curte altas zoeiras, sobrevivi. Sobrevivi, restabeleci-me completamente e fui crescendo com aquele cabelão que acentuava a semelhança física que eu tinha (tenho) com minha avó paterna e a parte da vizinhança que detestava o conservadorismo do meu pai, dizia que era muito bem feito que eu parecesse uma menina e chamava-me Shirley, por ser este o nome da minha avó. Em regra, pessoas apegadas a tradições esperam que meninas amem a cor rosa, brinquem com bonecas, prefiram atividades delicadas, sejam dóceis, submissas, "femininas" (oi? Ser feminina é de um jeito só?) e sonhem ser princesas. Eu não era nada disso. Corria e pulava enquanto estava de olhos abertos. Andava de bicicleta, jogava bola, pulava muros, aprontava todas. Mas, secreta e dissimuladamente, adorava quando me confundiam com uma garota ou chamavam-me Shirley. Ganhava o dia quando isso acontecia. Cresci e a confusão só aumentou porque na puberdade, descobri meu desejo por meninas. Que nó nas ideias! Como lidar? Pensava eu que quem gostava de mulher era homem, logo, era uma "contradição" gostar de coisas de mulher, de ser confundido com mulher ou desejar ser mulher. Sem ter com quem me abrir, sofria por ter que aceitar que minha única opção era ser homem. Chorava escondido, na hora de dormir. Crescia com a dor de estar "obrigado" a ser o que não sentia. Quem quer ser homem? Era o que me perguntava todos os dias, enquanto os anos se passavam. ...
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