1. Ivan e Amigo Filho, a prova de que existe o amor entre gueis.


    Encontro: 04/11/2018, Categorias: Amor / Romance, Gays / Homossexual, Autor: Estevão Valente, Fonte: CasadosContos

    O tempo passou. Ivan e eu fudíamos todas as quartas-feiras, quando Paulo Alberto tinha de jantar com toda a família. Ivan sabia que pela diferença de idade, e por causa da minha estória com Juvenal, com a lenta recuperação com Paulo Alberto, seria difícil ele ser meu amante fixo e se conformou com isso. Reclamava de solidão, mas a vida é assim mesmo, não se tem tudo que quer. MAISQuando a gente pensa que já viu de tudo neste mundo, aí que a coisa pega. “Professor. O Amigo Filho e o Ivan estão subindo”. “Que será que aconteceu?” “Oi tio”. “Estevão”. Beijei os dois nas bochechas e perguntei se estava havendo algum problema. Antes: Amigo Filho é um jovem advogado que se formou com louvor. Doutor em Direito Empresarial. Um gênio, que sempre foi tímido, caladão, nada expansivo, estudioso, avesso a boêmia, eventos sociais de grã-finos, amante da música clássica, do bom teatro e do bom cinema. Só era falante quando estava defendendo seu ponto de vista nos casos de Direito Empresarial. Nunca namorou, mas a família levava numa ‘boa’, pois afirmava que era muito difícil alguém namorar com um sujeito tão esquisito como ele. Ele seria o tio e padrinho da sobrinhada, era o que a mãe dele afirmava. “Tio, o negócio é o seguinte”. “Voce conhece o Ivan. Ele me contou que tem um casinho com você. Ele me falou que você foi o primeiro e único homem na vida dele”. “É verdade”, falei honestamente. “Pois é. Eu me apaixonei por ele”. “Amigo. Deixa eu falar”, interrompeu Ivan. “Estevão. Você sabe ... que você é o homem da minha vida, mas por circunstâncias que nos sabemos jamais poderemos ficar juntos. Falei isso para ele, mas ele insistiu, insistiu que queria me conhecer melhor etc. etc... Sempre reclamei de minha solidão. Falo com você todos os dias ao telefone, mas isso não basta. Vivo esperando as quartas-feiras, mas me sinto só, muito só. Por isso aceitei o primeiro convite, depois o segundo, e por aí em diante. Contudo...” “Contudo, tio. Eu pedi ele em namoro e ele afirmou que só depois que falasse com você”. “Claro. Como eu poderia sacanear um homem que me ajudou, que ajudou minha irmã, aquém eu amo. Como? Voce gostaria de ser sacaneado assim?” “Não. Claro que não”. “Senhores, calma, vamos ter calma”. “Ivan. Voce será capaz de ter um relacionamento sério, honesto, sincero, como eu tenho com Paulo Alberto, que sabe do meu grande amor por Juvenal, mas confia que um dia eu vou ama-lo incondicionalmente?”. “Penso que sim. Voce sabe das minhas condições físicas, do que eu gosto e do que eu não gosto...”. “Voce contou tudo para Amigo Filho?” “Contei e ele me respeitou”. “Então meu lindinho da Renascença invista nesse relacionamento com Amigo Filho. Buque a sua felicidade e trate de fazê-lo feliz, com a minha aprovação”. Ivan me pareceu chocado. E Amigo Filho simplesmente chorou. O jovem advogado tirou do bolso uma caixinha cujo conteúdo eram duas alianças. “Ivan, meu doce amor. Voce quer casar comigo”. Tanto eu, quanto o Ivan, quase caímos das cadeiras. “Casar, casar mesmo ...
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