1. Questão de Ética - Parte II


    Encontro: 11/10/2017, Categorias: Amor / Romance, Amor / Romance, Amigos, Empresa, Família, Sexo, Drama, Gays / Homossexual, Autor: Thiago Toke, Fonte: CasadosContos

    Por quase todo o ano que se seguiu nosso relacionamento dentro da empresa era basicamente profissional. Não havia espaços para brincadeiras, piscadelas, ou até mesmo conversas que se pautassem em assuntos diversos ao âmbito empresarial. Nas vezes em que, de alguma forma, eu tentei ganhar abertura e fazer algo do gênero, fui advertido quase que instantaneamente, o que rapidamente me levou a aceitar o fato de que nossa relação lá dentro nunca mais seria a mesma. Porém, ao final de quase todo expediente, recebia em meu apartamento a visita de um Reinaldo completamente diferente daquele ao qual me despedia no trabalho, sempre muito bem trajado, devidamente perfumado e insaciável no quesito sexual. Era muito claro para nós dois que tínhamos necessidades bem discrepantes: eu queria um amor, ele só queria um parceiro fixo e sigiloso para sexo casual. Embora tudo aquilo fosse cômodo para ambos, enquanto deixávamos aquela relação completamente maluca se arrastar por meses a fio, em minha cabeça tudo começava a ficar confuso. Não éramos mais amigos como antes, também não éramos namorados e eu estava apaixonado por aquele homem. - O que somos? - questionei - Como assim, “o que somos”? - Não somos mais amigos como éramos há algum tempo, nossas conversas, nossas bebedeiras, nossas ideias de sociedade, tudo isso ficou para trás. Também não somos namorados... tudo o que somos só existe dentro desse apartamento ou dentro da empresa... - Somos como dois super-heróis – Falou em tom de ...
    brincadeira - durante o dia temos nossas vidas e protegemos nosso segredo e durante a noite combatemos o crime! - Isso ainda não responde bem minha pergunta. - Somos dois caras que se curtem. Não foi difícil para mim deixar tudo isso para lá quando Reinaldo abriu mão de suas visitas noturnas após eu ter dito um indesejável “eu te amo” em meio ao frenesi de uma foda louca. Os dias se seguiram sem que eu tivesse uma única oportunidade de conversar, mesmo que fosse para receber a mais idiota das explicações. Então, com o passar do tempo, feito água por entre os dedos, foi-se esvaindo os traços de paixão por aquele homem sedutor e, apesar da minha vida sentimental estar péssima, minhas atividades no trabalho estavam como nunca antes, não demorando até que começasse a receber propostas de outras empresas da área. Foi quando tomei coragem e bati à porta da sala do Reinaldo: - Entra! – gritou do outro lado. - Posso falar contigo um minuto? - Desculpe, Thiago, estou muito atarefado hoje, podemos deixar essa conversa para outro momento? – retrucou, sem ao menos tirar os olhos da tela do computador. - Não vou demorar. Na verdade, só queria mesmo anunciar minha decisão de deixar a empresa. - Não, você não pode fazer isso comigo, não agora! Vamos tão bem e você é um dos melhores desse time! – Disse enquanto passava apressado por mim e trancava a porta da sala. - Desculpa, mas eu já não me sinto bem aqui, toda essa situação está me matan... - Eu sei que você está chateado comigo por não ter ...
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